"Ter é preciso, viver
não é preciso"!
Entenda por meio
desta reflexão como a cultura do mundo
prega o contrário da realidade Bíblica,
de que maior é aquele que serve do que é
servido
Certa vez, quando
nossos filhos eram pequenos, uma mulher
bateu à nossa porta pedindo ajuda. Além
de mantimento, perguntou se havia algum
brinquedo que pudesse ser dado para as
duas crianças que trazia. Nossa filha
correu para o quarto e logo abriu mão de
sua boneca mais nova. Nosso filho, após
insistirmos muito com ele, com lágrimas
nos olhos entregou um carrinho velho,
quebrado, sem rodas.
Os filhos não são
cópias idênticas dos pais, eles são
seres únicos. Ainda que tenham algumas
semelhanças conosco, é curioso constatar
como eles tendo os mesmos pais podem ser
tão diferentes entre si. As crianças são
indivíduos em formação que precisam ser
apoiados e ensinados. Com relação àquilo
que Deus quer fazer em nós e através de
nós, também precisamos do auxílio e do
ensino do Senhor.
Todos nós sentimos
necessidades ao longo da vida. Temos
necessidades físicas, de segurança, de
afetos, de reconhecimento, de realização
pessoal e devemos escolher entre
suprí-las como quem está se afogando (e
para se salvar sobe em quem estiver por
perto, empurrando-o para baixo) ou
caminharmos cooperando com os que
estiverem nessa jornada, ainda que com
dano próprio.
Boa parte da vida
gira em torno do dinheiro e da posse de
bens. Nossa cultura sugere que usemos as
pessoas e amemos as coisas. O coração
enganoso e egoísta do homem prioriza a
realização de suas necessidades e
desejos, por isso, muitas pessoas
despendem um grande esforço para
conseguir bens materiais e se apegam a
eles com facilidade. A vida não se
resume em ter coisas, mas o ser humano é
consumido por essa ideia.
A esse respeito,
Tozer diz que: “Antes de o Senhor
Deus criar o homem sobre a face da
terra, primeiramente preparou tudo para
ele, criando inúmeras coisas úteis e
agradáveis, para seu sustento e deleite.
Foram feitas para serem utilizadas pelo
homem, mas deviam sempre ser exteriores
ao homem, e subservientes a ele. Isso
porque, no mais recôndito do seu
coração, havia um santuário que somente
Deus era digno de ocupar. Dentro do
homem achava-se Deus; e fora, milhares
de dons que o Senhor derramara sobre
ele, como chuva.” E continua:
“O pecado, entretanto, trouxe
complicações, e transformou esses dons
de Deus em potenciais de ruína para a
alma. Nossos “ais” tiveram começo quando
o homem forçou Deus a sair de seu
santuário central, e deu permissão às
“coisas” de ali penetrar. Uma vez dentro
do coração humano, as “coisas” passaram
a imperar. O homem, por natureza, não
mais goza de paz em seu coração, pois
Deus não se acha mais entronizado ali;
pelo contrário, na obscuridade moral da
alma humana, usurpadores teimosos e
agressivos lutam entre si, procurando
ocupar esse trono”.
John Wesley disse:
“Valorizo todas as coisas apenas
pelo ganho que elas facultarão na
eternidade”. Colocar as coisas
acima das pessoas é uma deturpação e uma
afronta a Deus. Ao contrário da crença
geral, o acúmulo de bens não nos
distingue como indivíduos melhores ou
mais abençoados. Nunca foi intenção do
Senhor nos conceder bênçãos apenas para
nós mesmos, mas a bondade do Deus que
faz “nascer o seu sol sobre maus e
bons e vir chuvas sobre justos e
injustos” nos convida a
compartilhar (Mt 5.45).
Charles Kerman,
filósofo cristão, diz que “nada do
que tocamos é eterno”. Ainda que
não reconheçamos isso, temos uma
necessidade espiritual da qual são
sombras todas as nossas demais
necessidades, ou seja, as coisas não
podem suprir essa carência.
Apenas Cristo tem a
resposta para o nosso maior anseio.
“Então, perguntou Jesus aos doze:
Porventura, quereis também vós outros
retirar-vos? Respondeu-lhe Simão Pedro:
Senhor, para quem iremos? Tu tens as
palavras da vida eterna; e nós temos
crido e conhecido que tu és o Santo de
Deus”. (João 6.67-69.)
Só Jesus é a resposta
à nossa maior necessidade: “Tendo
Jesus falado estas coisas, levantou os
olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a
hora; glorifica a teu Filho, para que o
Filho te glorifique a ti, assim como lhe
conferiste autoridade sobre toda a
carne, a fim de que ele conceda a vida
eterna a todos os que lhe deste. E a
vida eterna é esta: que te conheçam a
ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus
Cristo, a quem enviaste”. (João
17.1-3.)
Obrigado Jesus!
Um forte abraço e que
o Senhor te abençoe!
:: Por Pr.
Célio Fernando
Fonte: Jornal
Atos Hoje.