|

|
Pastor acusado
de homofobia terá de pagar indenização
em 17/11/2008
08:01:10 (94 leituras).
A justiça
sul-mato-grossense condenou o pastor
evangélico Náurio Martins França a pagar uma
indenização de R$ 2 mil por ele produzir um
livro que contesta o homossexualismo. A
quantia pode ser paga em parcelas. Cabe
recurso. |
O
episódio tramita desde setembro do ano passado,
quando a Defensoria Pública de Campo Grande propôs
uma ação civil contra o pastor, autor do livro “A
maldição de Deus sobre o homossexual: o homossexual
precisa conhecer a maldição divina que está sobre
ele”.
A sentença fora aplicada pelo juiz da Vara de
Direitos Difusos Coletivos e Individuais, Dorival
Moreira dos Santos. O magistrado, que no ano passado
determinou a retirada dos livros das bancas,
estabeleceu a quantia indenizatória por entender que
o pastor cometera dano moral.
Ele ordenou ainda que a soma seja depositada na
conta do Fundo de Defesa e de Reparação de
Interesses Difusos Lesados. A pena, diz o juiz, pode
ser quitada em parcelas cujos valores não superem
30% do salário mensal do escritor.
Ao propor a ação que proibiu o comércio do livro, a
Defensoria Pública sustentou que a publicação tinha
“conteúdo declarado preconceituoso homofóbico,
transmite a idéia de que o homossexual é amaldiçoado
por Deus”. Homofobia é um termo utilizado para
identificar o ódio, aversão ou a discriminação de
uma pessoa contra homossexuais ou homossexualidade.
O pastor, que fora defendido por integrante
da própria defensoria, negou que sua obra
estaria incitando a violência contra
homossexuais, mas sim tinha a intenção de
convertê-los à religião evangélica. A defesa
do escritor sustentou ainda que ele, ao
escrever o livro, exercera o direito
constitucional de liberdade de pensamento,
opinião e religião. Na
decisão do juiz Dorival dos Santos, ele admite os
direitos constitucionais citado pelo pastor, contudo
o magistrado cita outro trecho da Constituição, que
trata da igualdade e dignidade da pessoa humana, e
considera a discriminação intolerável.
O pastor, membro da igreja Internacional da Graça,
em Campo Grande, teria mandado imprimir algo em
torno de 600 livros. Cerca de 300 exemplares foram
confiscados por determinação judicial; o resto,
vendido nas bancas.
Manifestação
Em 29 de agosto do ano passado, noticiou o Midiamax,
um grupo formado por GLBTs (Gays, Lésbicas,
Bissexuais e Transgêneros) esteve na Assembléia
Legislativa, onde promoveu uma manifestação de
protesto para alertar sobre o aumento de crimes
contra homossexuais no Estado. Estendendo um tapete
preto na galeria da Assembléia, o grupo exibiu
diversas faixas com frases como "Preconceito é
Crime", "Dignidade", "Prostituição não é crime, mas
perseguição policial sim".
Queima simbólica
Ainda em agosto do ano passado, marcado pelos
protestos, o GLBTs fez uma manifestação pacífica em
frente a Igreja Internacional da Graça, localizada
na Avenida Afonso Pena, contra o livro “A Maldição
de Deus sobre o Homossexual”.
A presidente da ATMS (Associação de Travestis de
Mato Grosso do Sul), Cris Stephani, disse à época
que o livro era “preconceituoso e incita a prática
de crimes contra homossexuais”.
Durante esse protesto, o grupo queimou uma réplica
do livro e foram colocadas 20 cruzes no canteiro
central da Avenida Afonso Pena, em alusão as 20
mortes de homossexuais ocorridas em 2 anos na
Capital. Cris Stephani destacou que o protesto
pacífico foi realizado com intuito de chamar a
atenção da população, que “deve ser contra qualquer
tipo de homofobia”.
Fonte: Midiamax
|