Agora, você está fora de seu país. Como um choque térmico você passa por uma mudança radical em sua vida. Após a euforia e a alegria de estar em outro país com promessas de inúmeras possibilidades, você se percebe como um estranho no ninho, pisando em território alheio: tudo tão diferente! A língua, a cultura, as pessoas... Outro país! Você sente falta de seus familiares, do abraço fraterno, do carinho de seus melhores amigos. Até aquela comidinha caseira, saboreada todos os dias, um cotidiano que agora traz saudade de sabor de festa!
Aqueles que têm parentes ou amigos morando no exterior conhecem de perto o impacto sócio-cultural que sofrem, e dividem a saudade que muitas vezes os levam ao choro e ao ímpeto de retornar! Cartas, telefones, e-mails impregnados de carinho tentam diminuir a nostalgia daqueles que “importam” do seu país: um quilo de café, uma camisa do time preferido, feijão, suco de maracujá, pão de queijo, guaraná, revista, jornais e outros produtos que funcionam como alimentador do “cordão umbilical” com a terra mãe!
São diversos os motivos que levam as pessoas a morar no exterior: Estudos, trabalho, aventura, busca por melhoria de vida. Entretanto, é inegável que a grande massa vai em busca da imediata vitória de um atalho que exclua alguns ou muitos degraus na subida ao sucesso. Um “conto de fadas” que encanta “belas e feras”, mas que nem sempre transforma “sapos em príncipes”. Não são raras as pessoas que voltam piores do que foram.
Os Estados Unidos, por exemplo, têm sido o principal alvo dos imigrantes. Para se ter uma idéia mais de 300 mil brasileiros residem no país. Por ser uma nação capitalista e bem-sucedida, os EUA atraem um contingente de novos moradores ao lado de países como Itália, Portugal, Espanha, Canadá, Inglaterra, Alemanha. Porém, quais são os prós e contras para uma pessoa que decide morar no exterior?
Após três anos cursando teologia em Dallas, Texas, o advogado Fernando Borja Pinto vê dois extremos no período em que passou morando fora do Brasil juntamente com sua esposa Flávia e sua filha Fabiane, que na época tinha apenas dois anos. “Quando morei no exterior senti falta das reuniões familiares, de meus parentes e amigos. Mas em compensação tive uma experiência de vida muito grande, meu casamento se fortaleceu muito. Eu era o socorro de minha esposa e vice-versa”, diz.
Em um caso como esse a união familiar supriu, em parte, a falta que eles sentiam do Brasil. Contudo, nem sempre isso acontece. Muitos vão com a “cara e a coragem”, completamente sós. Nesses casos, fatores como a língua e a cultura dificultam em muito a convivência com os habitantes do país que os acolheu. Isto é o que aconteceu com João Rizzo Filho, 61 anos, que mora em Long Island, Nova York, há dois anos. Ele decidiu morar fora do Brasil devido a crise econômica, porém encontrou grandes dificuldades para assimilar a língua americana. “Difícil enumerar os motivos que me induziram a deixar o país, entre outros, a recessão causada pelo plano real e as consecutivas ondas de corrupção foram fatores decisivos. A maior dificuldade que enfrento aqui até hoje é o idioma e a falta que sinto de minha casa em Belo Horizonte”, conta.
Nem tudo são flores
Ao contrário de Rizzo, a estudante Janine Lerman Carvalho de Oliveira não encontrou tantas dificuldades quando foi morar em San Diego, Califórnia, pois uma de suas irmãs já residia lá. Janine, 22 anos, mora há aproximadamente quatro anos nos EUA e cursa a faculdade de Biologia Marinha, em Community College. Janine, que a princípio foi morar no exterior por insistência do pai, acabou se adaptando rapidamente ao novo ambiente.”Fazer amigos não foi difícil, minha irmã conhecia muitas pessoas e na escola todos eram estudantes internacionais, todos queriam fazer amizades”, conta. Porém, passado o deslumbre de viver em outro país, Janine encara a vida fora de sua pátria de outra forma. “Às vezes sinto muita falta do Brasil, sinto falta da minha mãe, da minha família e dos meus amigos. Sinto-me mais em casa estando no Brasil do que aqui nos EUA. Pretendo voltar depois de formada, apesar de ter muito medo da violência, da falta de emprego, da falta de prosperidade e de não me adaptar mais. Mesmo assim pretendo voltar, pois os Estados Unidos já não são nenhuma novidade pra mim. As coisas já não são tão perfeitas como eram antes”, reclama. De volta pra casa
Mas não tem jeito. Por mais bem-sucedido que uma pessoa seja lá fora, jamais deixará de sentir saudades de seus costumes, dos amigos e da família. A tônica da maior parte dos depoimentos de pessoas que vão morar no exterior é sempre a mesma: a saudade que sentem do país e a vontade de retornarem um dia.
Conhecer outros povos, línguas e nações é algo que proporciona grande interatividade entre as pessoas e expande o conhecimento cultural. Muitos imigrantes se tornaram pessoas de sucesso e de renome no estrangeiro. Porém, outros voltaram frustrados e desiludidos com as experiências decepcionantes que viveram. O país de origem será sempre um ninho aconchegante. A onda de ataques terroristas que assolaram os EUA vem comprovar que em todos os lugares estamos sujeitos a diversos tipos de catástrofes, seja a fome ou um ataque suicida. Sair do país nem sempre pode significar a solução certa. Conversar, pesquisar, saber os prós e os contra sobre o país de interesse são fatores primordiais para quem deseja morar fora. Mas tudo deve ser direcionado por Deus. Vale a pena pensar sobre isso!
::Colaboradora: Ana Paula Costa - portal lagoinha.com