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Festa
Junina -
As Fogueiras
Sobre as fogueiras há duas explicações para o seu
uso. Os pagãos acreditavam que elas espantavam os
maus espíritos. Já os católicos acreditavam que era
sinal de bom presságio. Conta uma lenda católica que
Isabel prima de Maria, na noite do nascimento de
João Batista , ascendeu uma fogueira para avisar a
novidade à prima Maria, mãe de Jesus. Por isso a
tradição é acendê-las na hora da Ave Maria (às
18h).Você sabia ainda que cada uma das três festas
exige um arranjo
diferente de fogueira? Pois é, na de Santo Antonio,
as lenhas são atreladas em formato quadrangular; na
de São Pedro, são em formato triangular e na de São
João possui formato arredondado semelhante à
pirâmide. |
Festa Junina
As
Maldições das Festas Juninas
Pr. João Flávio & Presb. Paulo Cristiano
Introdução
Depois do Carnaval, o evento mais esperado do
calendário brasileiro são as festas juninas, que
animam todo o mês de junho com muita música caipira,
quadrilhas, comidas e bebidas típicas em homenagem a
três santos católicos: Santo Antônio, São João e São
Pedro.
Naturalmente as festas juninas fazem parte das
manifestações populares mais praticadas no Brasil.
Seria as festas juninas folclore ou religião? Até
onde podemos distinguir entre ambos? Neste estudo
não pretendemos atacar a religião católica, já que
todos podem professar a religião que bem desejarem,
o que também é um direito constitucional. mas tão
somente confrontar tais práticas com o que diz a
Bíblia.
-Herança Portuguesa
A palavra folclore é formada dos termos ingleses
folk (gente) e lore (sabedoria popular ou tradição)
e significa “o conjunto das tradições, conhecimentos
ou crenças populares expressas em provérbios, contos
ou canções; ou estudo e conhecimento das tradições
de um povo, expressas em suas lendas, crenças,
canções e costumes”.
Como é do conhecimento geral, fomos descobertos
pelos portugueses, povo de crença reconhecidamente
católica. Suas tradições religiosas foram por nós
herdadas e facilmente se incorporaram em nossas
terras, conservando seu aspecto folclórico. Sob essa
base é que instituições educacionais promovem, em
nome do ensino, as festividades juninas, expressão
que carrega consigo muito mais do que uma simples
relação entre a festa e o mês de sua realização.
Entretanto, convém salientar a coerente distancia
existente as finalidades educacionais e as
religiosas.
É bom lembrar também que nessa época as escolas, "em
nome da cultura", incentivam tais festas por meio de
trabalhos escolares, etc. A criança que não tem como
se defender aceita, pois se sente na obrigação de
respeitar a professora que lhe impõe estes trabalhos
(sobre festa Junina), e em alguns casos é até mesmo
ameaçada com notas baixas, por que a professora, na
maioria das vezes, é devota de algum santo,
simpatizante ou praticante da religião Católica, que
é a maior divulgadora desta festa. Neste momento
quando se mistura folclore e religião, a criança
-inocente por natureza - rapidamente se envolve com
as músicas, brincadeiras, comidas e doces. Aliás,
não existiria esta festa não fosse a religião.
Inclusive existe a competição entre clubes, famílias
ou grupos para realizarem a maior ou a melhor festa
junina da rua, do bairro, da fazenda, sítio, etc.
Além disso, não podemos nos esquecer de que o teor
de tais festas oscila de região para região do país,
especialmente no norte e no nordeste, onde o
misticismo católico é mais acentuado.
As mais tradicionais festas juninas do Brasil
acontecem em Campina Grande (Paraíba) e Caruaru
(Pernambuco).
O espaço onde se reúnem todos os festejos do período
são chamado de arraial. Geralmente é decorado com
bandeirinhas de papel colorido, balões e palha de
coqueiro. Nos arraias acontecem as quadrilhas, os
forrós, leilões, bingos e os casamentos caipiras.
-Uma Suposta Origem das Festividades
Para as crianças católicas, a explicação para tais
festividades é tirada da Bíblia com acréscimos
mitológicos. Os católicos descrevem o seguinte:
“Nossa Senhora e Santa Isabel eram muito amigas. Por
esse motivo, costumavam visitar-se com freqüência,
afinal de contas amigos de verdade costumam
conversar bastante. Um dia, Santa Isabel foi à casa
de Nossa Senhora para contar uma novidade: estava
esperando um bebê ao qual daria o nome de João
Batista. Ela estava muito feliz por isso! Mas
naquele tempo, sem muitas opções de comunicação,
Nossa Senhora queria saber de que forma seria
informada sobre o nascimento do pequeno João
Batista. Não havia correio, telefone, muito menos
Internet. Assim, Santa Isabel combinou que acenderia
uma fogueira bem grande que pudesse ser vista à
distância. Combinou com Nossa Senhora que mandaria
erguer um grande mastro com uma boneca sobre ele. O
tempo passou e, do jeitinho que combinaram, Santa
Isabel fez. Lá de longe Nossa Senhora avistou o
sinal de fumaça, logo depois viu a fogueira. Ela
sorriu e compreendeu a mensagem. Foi visitar a amiga
e a encontrou com um belo bebê nos braços, era dia
24 de junho. Começou, então, a ser festejado São
João com mastro, fogueira e outras coisas bonitas,
como foguetes, danças e muito mais!”.
Como podemos ver, a forma como é descrita a origem
das festas juninas é extremamente pueril, justamente
para que alcance as crianças.
As comemorações do dia de São João Batista,
realizadas em 24 de junho, deram origem ao ciclo
festivo conhecido como festas juninas. Cada dia do
ano é dedicado a um dos santos canonizados pela
Igreja Católica. Como o número de santos é maior do
que o número de dias do ano, criou-se então o dia de
“Todos os Santos”, comemorado em 1 de novembro. Mas
alguns santos são mais reverenciados do que outros.
Assim, no mês de junho são celebrados, ao lado de
São João Batista, dois outros santos: Santo Antônio,
cujas festividades acontecem no dia 13, e São Pedro,
no dia 28.
-Plágio do Paganismo
Na Europa antiga, bem antes do descobrimento do
Brasil, já aconteciam festas populares durante o
solstício de verão (ápice da estação), as quais
marcavam o início da colheita. Dos dias 21 a 24,
diversos povos , como celtas, bascos, egípcios e
sumérios, faziam rituais de invocação da fertilidade
para estimular o crescimento da vegetação, prover a
fartura nas colheitas e trazer chuvas. Nelas,
ofereciam-se comidas, bebidas e animais aos vários
deuses em que o povo acreditava. As pessoas dançavam
e faziam fogueiras para espantar os maus espíritos.
Por exemplo: as cerimônias realizadas em Cumberland,
na Escócia e na Irlanda, na véspera de São João,
consistiam em oferecer bolos ao sol, e algumas vezes
em passar crianças pela fumaça de fogueiras.
As origens dessa comemoração também remontam à
Antigüidade, quando se prestava culto à deusa Juno
da mitologia romana. Os festejos em homenagem a essa
deusa eram denominados “junônias”. Daí temos uma das
procedências do atual nome “festas juninas”.
Tais celebrações coincidiam com as festas em que a
Igreja Católica comemorava a data do nascimento de
São João, um anunciado da vinda de Cristo. O
catolicismo não conseguiu impedir sua realização.
Por isso, as comemorações não foram extintas e, sim,
adaptadas para o calendário cristão. Como o
catolicismo ganhava cada vez mais adeptos, nesses
festejos acabou se homenageando também São João. É
por isso que no inicio as festas eram chamadas de
Joaninas e os primeiros países a comemorá-las foram
França, Itália, Espanha e Portugal.
Os jesuítas portugueses trouxeram os festejos
joaninos para o Brasil. As festas de Santo Antonio e
de São Pedro só começaram a ser comemoradas mais
tarde, mas como também aconteciam em junho passaram
a ser chamadas de festas juninas. O curioso é que
antes da chegada dos colonizadores, os índios
realizavam festejos relacionados à agricultura no
mesmo período. Os rituais tinham canto, dança e
comida. Deve-se lembrar que a religião dos índios
era o animismo politeísta (adoravam vários elementos
da natureza como deuses).
As primeiras referências às festas de São João no
Brasil datam de 1603 e foram registradas pelo frade
Vicente do Salvador, que se referiu aos nativos que
aqui estavam da seguinte forma: “os índios acudiam a
todos os festejos dos portugueses com muita vontade,
porque são muito amigos de novidade, como no dia de
São João Batista, por causa das fogueiras e
capelas”.
-Sincretismo Religioso
Religiões de várias regiões do Brasil,
principalmente na Bahia, aproveitam-se desse período
de festas juninas para manifestar sua fé junto com
as comemorações católica. O Candomblé, por exemplo,
ao homenagear os orixás de sua linha, mistura suas
práticas com o ritual católico. Assim, durante o mês
de junho, as festas romanas ganham um cunho profano
com muito samba de roda e barracas padronizadas que
servem bebidas e comidas variadas. Paralelamente as
bandas de axé musica se espalham pelas ruas das
cidades baianas durante os festejos juninos.
Um fator fundamental na formação do sincretismo é
que, de acordo com as tradições africanas,
divindades conhecidas como orixás governavam
determinadas partes do mundo. No catolicismo
popular, os santos também tinham esse poder. “Iansã
protege contra raios e relâmpagos e Santa Bárbara
protege contra raios e tempestades”. Como as duas
trabalham com raios, houve o cruzamento. Cultuados
nas duas mais populares religiões afro-brasileiros –
a umbanda e o candomblé – cada orixá corresponde a
um santo católico. Ocorrem variações regionais. Um
exemplo é Oxossi, que é sincretizado na Bahia com
São Jorge mas no Rio de Janeiro representa São
Sebastião. Lá, devido ao candomblé, o Santo Antônio
das festas juninas é confundido com Ogum, santo
guerreiro da cultura afro-brasileira.

-A Puxada do Mastro
Puxada do mastro é a cerimônia de levantamento do
mastro de São João, com banda e foguetório. Além da
bandeira de São João, o mastro pode ter as de Santo
Antonio e São Pedro, muitas vezes com frutas, fitas
de papel e flores penduradas. O ritual tem origem em
cultos pagãos, comemorativos da fertilidade da
terra, que eram realizados no solstício de verão, na
Europa.
Acredita-se que se a bandeira vira para o lado da
casa do anfitrião da festa no momento em que é
içada, isto é sinal de boa sorte. O contrario indica
desgraça. E caso aponte em direção a uma pessoa essa
será abençoada. |
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