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Assim como as abelhas

 

 

Nunca se viu tamanha participação da mulher na sociedade em seus mais diferentes âmbitos.
 
O quadro, que tomou força no final do século passado, tem despertado grupos de mulheres em todo o mundo para discutir e rediscutir o papel feminino. Pensando nisso, foi criado o Colméia, projeto cristão que tem o objetivo de reunir mulheres com diferentes experiências profissionais, familiares e sociais para compartilhar ações e assuntos ligados ao mundo feminino. Sendo assim, elas não se juntam para discutir apenas criação de filhos e relacionamento conjugal. Mas para debater também economia, violência doméstica e as diferentes manifestações de fé, entre outros assuntos.

Colméia é, portanto, acima de tudo, um espaço fruto de um trabalho conjunto de igrejas como Episcopal Anglicana, Luterana, Metodista e até Católica. Organizações como o Centro de Estudos Bíblicos também fazem parte do grupo. As participantes, então, vêm de igrejas ou entidades que têm um trabalho específico com mulheres. Por essa razão, o projeto oferece, sobretudo, atividades que já são realizadas nessas igrejas ou instituições no seu dia-a-dia, como artesanato, grupos de discussão, grupos de ajuda mútua, etc.

“Temos algumas atividades mais relacionadas com a produção de artesanato e com a produção para manutenção de economia. Mas temos também uma outra perspectiva, mais litúrgica, mais ecumênica, que tem a ver com as celebrações que são feitas em conjunto com os grupos das mulheres de diferentes igrejas. Nesse sentido, temos, por exemplo, o Dia Mundial de Oração”, comenta Elaine Neuenfeldt, pastora luterana e professora de Teologia. Como integrante da Colméia ela ressalta ainda a parceria do grupo com o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) na Década da Superação da Violência contra as mulheres, implantada no Brasil pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic).

A escolha do nome Colméia foi escolhido porque lá é um lugar onde as abelhas voltam depois de um período intenso de trabalho. Em analogia, o grupo é um espaço onde as mulheres após um período de desgaste, de trabalho, podem encontrar acolhida, descanso, um local em que possam falar sobre seus problemas. Uma outra perspectiva é que, da colméia, surgem também alguns elementos como o mel e o própolis. Daí a idéia de cura, isto é, um lugar onde as mulheres podem buscar alívio para seus sofrimentos, suas dores. E, por fim, um outro lado da colméia, o da defesa. A abelha, quando provocada, também pica. “Essa situação do ataque da abelha nos quer lembrar que não é só mel, não é só a doçura do mel que está presente nas nossas experiências, mas também a dor, o sofrimento, a violência. Queríamos trazer também esse lado da dor na palavra ‘colméia’”, explica Elaine.

Além das ações, o projeto Colméia trabalha com algumas temáticas de discussão, dentre as quais se destacam a economia solidária e a ecologia. Na primeira, elas expõem como estão se envolvendo, como estão se organizando em forma de cooperativa ou em grupos de trabalho de produção como artesanato, roupa, velas, padarias comunitárias, ou seja, como as mulheres buscam alternativas econômicas para sobreviver. Com relação ao meio ambiente, o grupo busca um diálogo com um grupo específico de mulheres ligadas ao Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (Capa), ligado à Igreja Luterana. Suas participantes trouxeram a experiência de como pequenas agricultoras resolvem ou se empenham na discussão sobre a água ou a preservação do meio ambiente. Outra temática com lugar garantido na Colméia é a violência doméstica, seus desdobramentos e ações de superação.

 

Colaborador: portal lagoinha.com